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domingo, 19 de dezembro de 2010

O Sábado foi primeiramente dado a Israel, e é o Sinal de DEUS para Israel

O Sábado foi primeiramente dado a Israel,
e é o Sinal de DEUS para Israel


Pr. David Cloud


Os Adventistas do Sétimo Dia ensinam que os homens guardavam o sábado desde os dias de Adão, mas isso contradiz o registro da própria Bíblia.

Embora seja verdade que o sábado se originou no final dos seis dias da criação (Gênesis 2:1-3), ele foi o descanso1 de Deus, não do homem. Não há registro em Gênesis de que Deus deu o sábado ao homem. Os santos em Gênesis construíram altares, oravam, ofereciam sacrifícios, e dizimavam, mas a Escritura mantém-se silenciosa em relação à guarda do sábado.

Neemias 9:13-14 diz claramente que o sábado foi dado pela primeira vez a Israel no deserto:

 "E sobre o monte Sinai desceste, e dos céus falaste com eles, e deste-lhe juízos retos e leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons. E o teu sábado lhes fizeste conhecer; e preceitos, estatutos e lei lhes mandaste pelo ministério de Moises, teu servo." (ACF)

 Se Abraão, Isaque e Jacó guardavam o sábado, seus filhos estariam familiarizados com a prática, mas Neemias nos diz que este não foi o caso.

Êxodo 31:12-18 diz claramente que o sábado foi um sinal especial entre Deus e Israel.

“12 ¶ Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: 13 Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. 14 Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo. 15 Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá. 16 Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. 17 Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se. 18 E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” (Êx 31:12-18 ACF)

Se o sábado tivesse sido dado a humanidade em geral após a criação, ele não poderia ter sido um sinal exclusivo para Israel. O fato é que o sábado pertence à nação de Israel e não a qualquer outro povo. Também é importante notar que o sábado será uma eterna possessão de Israel (Ex 31:16).

Este sinal nunca vai ser anulado ou transferido para outro povo. Isso explica por que os profetas anunciam que Israel guardará o sábado, mesmo após o reino de Cristo ter sido estabelecido na terra (Is 66:23). Isso também explica por que Jesus Cristo mencionou o sábado em sua profecias a respeito da tribulação (Mt. 24:20). Judeus, ainda hoje, guardam o sábado e não há restrições para sua observância na terra de Israel. As linhas aéreas El Al não possui vôos aos sábados, por exemplo.



O SÁBADO E OS SANTOS DO NOVO TESTAMENTO

Em seus escritos para as igrejas, os apóstolos só mencionaram o sábado três vezes:
1. O sábado é um símbolo de descanso na salvação em Cristo (Hb 4). Assim como os judeus não trabalham no sábado, assim o crente é salvo pela graça de Deus sem as obras.
2. O crente do Novo Testamento não é obrigado a guardar o sábado (Col.2:16). Quando Paulo fala de "dias de sábado", no plural, ele está se referindo a todos os dias de descanso que Deus deu a Israel, incluindo aqueles associados com as festas. Por exemplo, o Pentecostes sempre caia no primeiro dia da semana, mas era um sábado especial em que o trabalho não era realizado (Lv 23:16 -21). Os adventistas do sétimo dia e outros guardadores do sábado afirmam que Colossenses 2:16 não se refere ao sábado semanal regular, mas não há evidências de que seja este o caso.2
3. O crente do Novo Testamento tem a liberdade na questão dos dias santos (Romanos 14:4-6).

Aqueles que afirmam que o sábado é imposto ao cristão, estão ensinando uma doutrina contrária à dos apóstolos.

"O sábado se relaciona com a velha criação e foi dado exclusivamente a Israel; o Dia do Senhor refere-se à nova criação, e pertence especialmente à igreja. O sábado fala da lei, seis dias de trabalho que são seguidos do repouso, mas o Dia do Senhor fala da Graça, pois começamos a semana com o repouso, que é seguido então pelas obras." (Wiersbe do Antigo Testamento Outlines).

Por que, então, Jesus guardou o sábado? Ele guardou o sábado pela mesma razão pela qual Ele guardou todas as outras leis de Moisés. (Ele também observou as festas.) Jesus fez estas coisas, porque Ele nasceu judeu, nascido sob a lei, para que pudesse cumpri-las perfeitamente e resgatar seu povo de sua penalidade e escravidão (Gálatas 4:4, Rm 9:5).



EVIDÊNCIA BÍBLICA DE QUE OS CRISTÃOS PRIMITIVOS ADORAVAM NO DOMINGO


1. Jesus ressuscitou dos mortos no primeiro dia da semana (Mc 16:9).

2. Jesus apareceu aos seus discípulos no primeiro dia da semana (Mc 16:9).

3. Jesus várias vezes se encontrou com os discípulos após a ressurreição, em locais diferentes, no primeiro dia da semana (Mc 16:9-11; Mt 28:8-10; Lc 24:34;. Mar. 16:12-13; Jo. 20,19-23).

4. Jesus abençoou os discípulos no primeiro dia da semana (Jo 20:19).

5. Jesus deu aos discípulos o dom do Espírito Santo no primeiro dia da semana (Jo 20:22).

6. No primeiro dia da semana, Jesus comissionou os discípulos a pregarem o evangelho a todo o mundo (Jo 20:21; com Mc16:9-15).

 7. No primeiro dia, Jesus subiu ao Céu, setou-se à destra do Pai e foi feito a Cabeça de todos (Jo 20:17; Ef 1:20).

8. No primeiro dia da semana, muitos dos santos mortos ressuscitaram e saíram dos túmulos (Mt 27:52-53).

9. O primeiro dia da semana se tornou o dia de alegria e de regozijo para os discípulos (Jo 20:20; Lc 24:41).

10. No primeiro dia da semana, o evangelho de Cristo ressuscitado foi primeiramente pregado (Lc 24:34).

11. No primeiro dia da semana, Jesus explicava as Escrituras para os discípulos (Lc 24:27, 45).

12. No primeiro dia da semana o pagamento da nossa redenção foi completado (Rom. 4:25). 13. No primeiro dia o Espírito Santo desceu (Atos 2:1). O Pentecostes acontecia no 500 dia após o sábado seguinte a oferta de jubileu (Lev. 23:15-16). Assim, o Pentecostes era sempre realizado em um domingo.

14. Os cristãos reuniam-se para adorar no primeiro dia da semana (Atos 20:6-7, 1 Coríntios. 16:02)

(D.M. Canright, Ex-Adventista do Sétimo Dia).

Desde aqueles dias, a grande maioria dos cristãos tem sempre se reunido para o culto no dia do Senhor. Eles fazem isso em honra à ressurreição do Salvador. Cristo estava no túmulo, durante o sábado, e levantou-se como o primogênito dentre os mortos no primeiro dia da semana. O sábado significa o último dia da velha criação (Gn 2:2). O Domingo é o primeiro dia da nova criação.



EVIDÊNCIA HISTÓRICA DE QUE CRISTÃOS PRIMITIVOS ADORAVAM NO DOMINGO


A Epístola de Barnabé (cerca de 100 dC) - "Portanto, também nós mantemos o oitavo dia com alegria, o dia também em que Jesus ressuscitou dos mortos. "

A Epístola de Inácio (cerca de 107 dC) - "Não vos enganeis com estranhas doutrinas, nem com as fábulas antigas, que não são proveitosas. Porque, se nós ainda vivemos segundo a Lei Judaica, nós reconhecemos que não temos recebido Graça... Portanto, aqueles que foram educados na antiga ordem das coisas vieram à posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo na observância da Dia do Senhor, em que também a nossa vida surgiu novamente por Ele e por Sua morte. "

Justino Mártir (cerca de 140 dC) - "E no dia chamado domingo todos os que vivem nas cidades ou no campo se reúnem em um só lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos. ... Mas o Domingo é o dia em que todos têm uma assembléia em comum, porque é primeiro dia da semana em que Deus ... fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador no mesmo dia ressuscitou dos mortos. "

Bardesanes, Edessa (180 dC) - "No primeiro da semana, nós nos reunimos juntos, em assembléia. "

Clemente de Alexandria (194 dC) - "Ele, em cumprimento do preceito, segundo o evangelho, mantém o Dia do Senhor ... glorificando ao Senhor pela Sua ressurreição. "

Tertuliano (200 dC) - "Nós tornamos solene o dia depois do sábado, em contradição com aqueles que chamam este dia o seu sábado."

Irineu (cerca 155-202 dC) - "O mistério da ressurreição do Senhor não pode ser comemorado em qualquer dia senão no Dia do Senhor, e somente nele devemos observar o descanso da festa de Páscoa ".
Cipriano (250 dC) - "O oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, é o Dia do Senhor ".

Anatólio (AD 270) - "Nossa preocupação com a ressurreição do Senhor, que teve lugar no Dia do Senhor nos levará a celebrá-lo."

Pedro, Bispo de Alexandria (306 dC) - "Mas o Dia do Senhor, nós celebramos como um dia de alegria, porque nele, Ele [o Senhor] ressuscitou. "

Pr David Cloud

Traduzido pelo Pr. Miguel Ângelo Maciel , dez.2010.




1.  A palavra hebraica sabbath significa cessar. DEUS descansou não por que estava cansado, humanamente falando, mas por ter descansado (cessado) da obra da criação.

2.  Para uma excelente explicação a respeito de Col. 2:16-17 (e Oseias 2:11), ler o capitulo A EXTINÇÃO DO SÁBADO, do livro A GUARDA DO SÁBADO, do Dr Aníbal Pereira Reis (publicado pela Edições Caminhos de Damasco e recentemente re-publicado pelas Edições Cristãs). O Dr Aníbal de forma conclusiva identifica os dias de festas (cerimônias ANUAIS), as luas novas (cerimônias MENSAIS) e os sábados (cerimônias SEMANAIS), com as atividades cerimoniais exclusivamente judaicas, demonstrando que desde o Antigo Testamento DEUS já havia prometido fazê-las cessar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Deve o cristão guardar o sábado ?

Deve o cristão guardar o sábado ?
Por Ronald E. Watterson
Introdução
O sábado é mencionado freqüentemente na Bíblia, especialmente no Velho Testamento. Estas constantes menções indicam que o assunto é muito importante e merece um estudo cuidadoso.
Em nossos dias é um assunto polêmico, mas nem por isso devemos deixar de examiná-lo. Devemos, sim, deixar de lado o que os homens falam e considerar o que as Escrituras Sagradas dizem a respeito. Vamos observar primeiramente o que a Bíblia revela sobre

A História do Sábado
Embora não encontremos a palavra "sábado", na Bíblia, até chegarmos em Êxodo capítulo 16, cerca de 2.500 anos depois de Adão, a doutrina do sábado começa com a criação do homem, quando Deus trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou de toda a Sua obra. “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou" (Gênesis 2:3).
Apesar do silêncio da Palavra de Deus quanto ao sábado, nos primeiros 2.500 anos da história humana, é provável que os fiéis o observassem durante aquele tempo. Quando Israel estava no deserto, Deus lhes deu o maná durante seis dias e avisou que no sétimo dia não haveria maná, pois aquele dia era "o santo sábado do Senhor" (Êxodo 16:23). Esta declaração, sem nenhuma explicação, leva-nos a crer que o sábado não lhes era desconhecido. Notemos, a seguir,

O Sábado Dado a Israel
Nos dias de Moisés o sábado foi dado à nação de Israel (Êxodo 16:29) e a partir daquele tempo a sua história fica mais clara. Ele foi incluído nas leis da aliança que Deus fez com Israel, sendo escrito pelo dedo de Deus na tábua de pedra, e também por Moisés no Livro da Lei (Êxodo 24:4; Deuteronômio 31:24).
Entre as outras leis, o sábado assumiu um lugar destacado para Israel, pois Deus o deu por sinal da aliança. Assim como Deus estabeleceu a circuncisão como sinal da aliança que fez com Abrão (Gênesis 17:11), o sábado foi estabelecido como sinal da aliança entre o Senhor e Israel (Êxodo 31:13, 17 e Ezequiel 20:12).
O sábado não foi dado às outras nações, mas exclusiva- mente a Israel, como sinal da sua posição privilegiada, em concerto com o Senhor. Este fato é confirmado quando Moisés exortou o povo e disse: “E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?” (Deuteronômio 4:8). A lei, incluindo o sábado, foi dada com exclusividade a Israel. Notemos, ainda,

O Sábado Ampliado
Ao dar o sábado a Israel, Deus o ampliou. A partir daquele tempo o sábado não seria apenas o sétimo dia de cada semana: mais dias além do sábado seriam “sábados do Senhor”. O Dia da Expiação, por exemplo, que é o décimo dia do sétimo mês, seria “sábado de descanso” (Levítico 16:29-31), mas este dia poderia cair no começo, no meio, ou no fim da semana, dependendo do ano.
A terra também teria o seu sábado. O povo poderia cultivar a terra seis anos, mas o sétimo seria “sábado de descanso para a terra, um sábado ao Senhor” (Levítico 25:4). Naquele ano não poderiam semear o campo, nem podar a vinha. Mas convém que notemos, agora,

O Sábado Profanado
Israel foi infiel; não guardou os sábados ao Senhor. Profanou o sábado ainda no deserto, antes mesmo de entrar na terra prometida.
Referindo-se àqueles anos no deserto, Deus disse: "E também lhes dei os Meus sábados... mas... a casa de Israel se rebelou contra Mim no deserto... e profanaram grandemente os Meus sábados” (Ezequiel 20:12-13). Após a entrada na terra, a avareza levou o povo a considerar o sábado como um peso desagradável e difícil de suportar. Diziam: “Quando passará... o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo...”(Amós 8:5). Tal hipocrisia era insuportável a Deus e a repreensão veio nas palavras do profeta: “... o incenso é para Mim abominação... e os sábados; ... não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene" (Isaías 1:13).

O Sábado Interrompido
Por causa daquela iniquidade e hipocrisia, Deus tirou de Israel os Seus sábados. Ele disse, por meio do profeta: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados...”(Oséias 2:11). Ele afirmou ainda, através de Jeremias: “... o Senhor, em Sião, pôs em esquecimento a festa solene e o sábado, e na indignação da Sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote” (Lamentações 2:6).
O Sábado Reestabelecido
Apesar da profanação do sábado por parte de Israel, Deus não abandonou o Seu propósito. Ele ainda há de restaurar o Seu povo e esta nação ainda guardará os sábados ao Senhor. As promessas feitas a Abrão serão cumpridas e o sábado será observado. Descrevendo aqueles dias gloriosos que ainda estão por vir, Ezequiel fala dos holocaustos e das ofertas que serão trazidas nas luas novas e nos sábados (Ezequiel 45:17). O mesmo profeta fala da porta do átrio interior do templo que será reconstruído e diz que “estará fechada durante os seis dias, que são de trabalho; mas no dia de sábado ela se abrirá” (Ezequiel 46:1; veja também Ezequiel 46:3, 4, 12). Agora, voltemos a nossa atenção para

Um Detalhe Importante
Considerando a história do sábado, é importante observar que não há mandamento algum para a igreja guardar o sábado. E isto não é uma omissão. Deus não omitiu da Sua Palavra coisa alguma que fosse necessária ao Seu povo (veja 2 Timóteo 3:16-17). Longe de apresentar qualquer mandamento para guardar o sétimo dia, o Novo Testamento mostra que o cristão que estima um dia acima do outro é um cristão fraco (Romanos 14:1-6). Reforçando isto, Paulo disse, escrevendo aos Colossenses: “Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Colossenses 2:16).
Vemos, ainda, que, na carta aos Gálatas, escrita a igrejas que estavam começando a guardar dias, Paulo disse: “Mas agora, conhecendo a Deus... como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias... receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gálatas 4:9-11). Esta preocupação do Apóstolo com relação aos gálatas deixa muito claro que o cristão que guarda o sábado, ou qualquer outro dia, está cometendo um erro gravíssimo e está jogando por terra a obra que Deus está fazendo.

O Propósito e o Significado do Sábado
Um dia, quando o Senhor passava pelas searas, com Seus discípulos, estes começaram a colher espigas e foram severamente critica- dos pelos fariseus (veja Marcos 2:23-28). Respondendo as críticas, o Senhor afirmou ser o Senhor do sábado e revelou, pelo menos em parte , o propósito do mesmo.
Para o Homem
Ele disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (verso 27). O sábado nunca foi uma restrição, ou uma exigência pesada que Deus impôs ao homem, mas sim uma bênção. Deveria ser uma ocasião alegre e benéfica para o homem.
No Velho Testamento vemos a maneira como este dia deveria ser uma bênção para o homem. Traria benefícios físicos, pois seria um dia de descanso depois de seis dias de trabalho (Êxodo 20:10). Quando esta lei foi dada a Israel, Deus relacionou este descanso semanal com a Sua própria obra na criação: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar, e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou: portanto abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou”(Êxodo 20:11).
Quando, porém esta lei foi repetida na campina ao oriente do Jordão, Deus mencionou outro propósito do sábado. “Guarda o dia de sábado...seis dias trabalharás.. . mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho nele...Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido” (Deuteronômio 5:l2-13).
O sábado, portanto, seria um dia de descanso físico e também seria um dia de recordação das bênçãos recebidas do Senhor. Seria uma bênção para o corpo e também para a alma.

Para Deus
Foi de fato uma dádiva preciosa que Deus deu ao povo de Israel (Êxodo 16:29), mas convém observar que não é somente “o sábado do Senhor” (Êxodo 16:23), é também “um sábado ao Senhor” (Êxodo 31:15). Ao mesmo tempo que proporcionava descanso e refrigério ao homem, deveria proporcionar algo também a Deus. Ao deixar de lado a preocupação com as coisas materiais, o homem deveria ocupar-se com as coisas espirituais, e assim Deus receberia adoração e louvor.
Além do propósito imediato de proporcionar ao homem descanso e trazer a Deus honra e louvor, havia algo mais, na celebração do sétimo dia. Era uma sombra “das coisas futuras” (Colossenses 2:17). Vejamos vários aspectos disto.

O Descanso em Canaã
Logo que o pecado entrou no jardim do Eden, o descanso de Deus foi interrompido e Ele se pôs a trabalhar (João 5:17). O sábado não se
ria mais uma expressão do descanso do Criador, mas sim, uma sombra dum descanso futuro, baseado na obra perfeita terminada pelo Senhor Jesus Cristo.
Em primeiro lugar, prefigurava o descanso que Deus queria dar ao povo de Israel em Canaã. Moisés disse àquele povo: “Até agora não entrastes no descanso ...mas passareis o Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o Senhor vosso Deus; e vos dará repouso dos vossos inimigos... ”(Deuteronômio 12:9-10).
Num sentido limitado, este descanso foi alcançado nos dias de Josué, pois “o Senhor lhes deu repouso em redor, conforme a tudo quanto jurara a seus pais”(Josué 21.44).
O descanso em Canaã não permaneceu (Hebreus 4:8), e Deus falou ainda dum descanso futuro (Salmo 95:8-11).

Descanso para o Mundo no Milênio
Um dia Satanás será preso no abismo (Apocalipse 20:1-3); todo inimigo será derrotado (1 Coríntios 15:25); a criação deixará de gemer (Romanos 8:22-23); e a terra há de gozar o seu sábado. O profeta anunciou isto ao dizer: “Já descansa, já está sossegada toda a terra! exclamam com júbilo” (Isaías 14:7). O mesmo profeta ainda disse: ”E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso”(Isaías 11:10).

O Descanso Eterno
Este maravilhoso descanso milenar, porém não perdurará. Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, liderando uma última rebelião contra Deus.
Mas ele será derrotado, e lançado no lago de fogo. Os mortos serão julgados e haverá um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça (2 Pedro 3:13 e Apocalipse 21:1). Deus será tudo em todos e será glorificado naquele descanso eterno.

O Descanso presente em Cristo
O sábado é a sombra; a substância é Cristo (Colossenses 2:16-17). Por isto, não nos ocupamos mais com a sombra; temos a substância. Não guardamos o sábado; descansamos em Cristo. Esta verdade é apresentada mais detalhadamente na carta aos Hebreus.

O Sábado à Luz de Hebreus 3 e 4
A carta aos Hebreus mostra a superioridade de Cristo. Ele é Deus (capítulo 1) e, portanto, superior aos anjos. Ele Se fez homem (capítulo 2), mas continua superior a todos os homens. Os capítulos que estamos considerando mostram como Ele é superior a Moisés e a Josué. Estes não conseguiram dar ao povo aquele descanso verdadeiro, mas nós, pela fé no Senhor Jesus Cristo, já entramos no repouso (4:3).

O Repouso
A questão do repouso é introduzida com uma citação do Velho Testamento, tirada do Salmo 95:8-11, já anteriormente citada no capitulo 3:7-11. O escritor quer demonstrar que o Senhor Jesus é maior do que todos os homens. Os que saíram do Egito deveriam ter entrado no descanso em Canaã, mas pela desobediência e incredulidade, seus corações foram endurecidos e Deus jurou na Sua ira que não entrariam no Seu descanso. Este facto serve de exortação aos leitores, para que não venham a cair no mesmo erro (3:12-13). Poderiam ter ouvido as boas novas, mas se o coração se endurecesse pelo engano do pecado não entrariam no repouso desejado (3:13).
Muitos têm mal interpretado esta passagem e, nela baseados, afirmam que o crente pode perder a salvação, mas veja bem que não é isso o que o texto sagrado diz. O que Deus afirma é: “A qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (3:6). Note bem que não diz que “seremos”, mas que “somos”, agora, no presente, a casa de Deus. Ele não diz que somos enquanto conservarmos firme, mas que já somos a casa de Deus se conservarmos firme. Isto é, a palavra “se”, neste caso, não introduz uma condição, mas, sim, uma evidência. Os hebreus, a quem a carta foi dirigida, professavam ser a casa de Deus, mas alguns poderiam não ser verdadeiros. A realidade da sua profissão de Fé seria manifesta pela sua permanência. Veja isto com mais clareza no versículo 14 – “...nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim”. O verbo “tornamos”refere-se a algo já acontecido — é o tempo perfeito no texto original. Ele não está dizendo que vamos participar de Cristo se retivermos firmemente, e, sim, que já participamos de Cristo há muito tempo. A palavra se, no caso, não é condicional, pois se o fora, o versículo não teria sentido. O ensino claro destes dois versículos é que aquele que permanece é aquele que creu e aquele que não permanece demonstra que nunca creu.
No capítulo 4 o Espírito volta a destacar o perigo de não entrar no repouso de Deus: “Temamos, pois que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás” (verso 1). Observe, porém, que o texto não fala da possibilidade de ser expulso dum repouso já alcançado, mas, sim, da possibilidade de não chegar a entrar no repouso esperado. É isto o que vemos no Salmo 95: a geração que saiu do Egito não entrou em Canaã. É isto, também, o que Hebreus 4 ensina: alguns que querem entrar no repouso de Deus poderão não entrar. Aqueles que saíram do Egito, ouviram as boas novas e esperavam entrar, mas caíram no deserto. Como o texto afirma, nada disto lhes aproveitou, porquanto não estava misturado com a fé. É póssível ouvir as boas novas e abandonar o mundo e, contudo, não entrar no descanso porque, na realidade, não creu.
Mas o contraste no versículo seguinte é notável: “Nós, os que temos crido, entramos no repouso” (verso 3). Aqui vemos novamente que a fé é o meio pelo qual entramos no repouso. Eles (verso 2) não entraram porque não creram; nós (verso 3) entramos (presente) porque temos crido (passado). Quem não crê, não entra. Quem creu, já entrou.
Tudo é relacionado com o descanso de Deus no sétimo dia (verso 4), mostrando que aquele repouso de Deus na obra completada pela criação era uma sombra do repouso que o crente tem agora em Cristo. No versículo 5 vemos mais uma vez que o incrédulo jamais entrará neste descanso.
A partir do versículo 6, o Espírito Santo torna a falar do descanso concedido em Canaã, mostrando que não correspondeu plenamente à sombra, pois, de outra sorte, Davi não teria, no Salmo 95, falado de outro dia. Isto leva logicamente à conclusão de que “resta ainda um repouso (literalmente, “um sábado de repouso”) para o povo de Deus” (verso 9).
O sábado do Velho Concerto, portanto, era uma sombra do descanso que gozamos hoje em Cristo.
O assunto é concluído com uma afirmação e uma exortação.
A afirmação: “Aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou das suas obras, como Deus das Suas” (verso 10). Quando descobrimos que as nossas tentativas de alcançar a vida eterna eram inúteis e deixamos de confiar em nossas justiças, orações, obras, etc., e confiamos no Senhor Jesus Cristo e no valor da obra consumada na cruz, descansamos das nossas obras e entramos no descanso de Deus.
A exortação: É dirigida àqueles que ainda não entraram no repouso de Deus e diz: “Procuremos entrar... para que ninguém caia no
mesmo exemplo de desobediência” (verso 11).

A Conclusão
O Sábado foi uma dádiva preciosa que Deus concedeu ao povo de Israel, mas aquele povo não apreciou. Era uma parte integrante daquela Lei do Velho Concerto e traz lições preciosas para nós, cristãos, no dia de hoje, sendo uma sombra do nosso descanso espiritual em Cristo.Mas aquela “cédula que era contra nós” foi riscada (literalmente, apagada, como quando se apaga o que foi escrito numa lousa) e tirada do meio de nós pela cruz de Cristo (Colossenses 2:14). Continuando este ensino, o Espírito Santo pergunta: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam AINDA de ordenanças... ?” (Colossenses 2:20).
Nesta Escritura Deus mostra claramente que o cristão não deve guardar a Lei do Velho Concerto (isto inclui o sábado), pois tal lei foi apagada e tirada do meio de nós. Na carta aos Gálatas, porém, Deus apresenta, por meio duma alegoria, a nossa responsabilidade nesta parte.
Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Na alegoria, Agar, a escrava, representa o Velho Concerto firmado no monte Sinai, enquanto Sara representa o Novo. Na conclusão da alegoria, Deus diz: “Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (ver Gálatas 4:21-31). Temos a responsabilidade de lançar fora o Velho Concerto, bem como as conseqüências que ele produz, pois de modo algum poderão os dois Concertos conviver um com o outro.
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Portanto, em Colossenses vemos o lado divino desta mudança — Ele apagou a “cédula”, tirando-a do meio de nós (Colossenses 2:14), mas em Gálatas vemos o lado humano — nossa responsabilidade de lançar fora o Velho Concerto, inclusive o sábado.


Nota do Distribuidor: Por favor, leia na sua Bíblia todas as citações contidas neste artigo para não parecer que o autor apresenta a sua opinião pessoal, mas verifique que seus argumentos são fortemente fundamentados na Palavra de Deus.
RONALD E. WATTERSON é um Ministro Evangélico vinculado ao Movimento dos Irmãos Como Ensinador Bíblico Itinerante, tem a sua base missionária na cidade de Descalvado, Estado de São Paulo. É autor do livro Apocalipse Versículo por Versículo, tendo também escrito diversos livretos e artigos doutrinários em defesa da Fé.